Dossiê: Questão Palestina.

A questão palestina.

“Ocuparam minha pátria
Expulsaram meu povo
Anularam minha identidade
E me chamaram de terrorista

Confiscaram minha propriedade
Arrancaram meu pomar
Demoliram minha casa
E me chamaram de terrorista

Legislaram leis fascistas
Praticaram odioso apartheid
Destruíram, dividiram, humilharam
E me chamaram de terrorista

Assassinaram minhas alegrias,
Sequestraram minhas esperanças,
Algemaram meus sonhos,
Quando recusei todas as barbáries

Eles… mataram um terrorista!”

Confissão de um terrorista, Mahmoud Darwish.

Pelo menos desde o início do século XX a Questão Palestina está posta diante de nós.

Parece-me que temos a obrigação ética e política de não sermos vencidos pelo cansaço.

O tempo não é capaz de fazer o absurdo da normalidade deixar de ecoar.

Nesse sentido preparei um dossiê recolhendo matérias bibliográficos imprescindíveis sobre essa questão.

https://www.youtube.com/watch?v=hYaEueI0Gz4 – Salem Nasser. Palestina: mídia, discursos e narrativas.

https://www.youtube.com/watch?v=MCdLVKcM6aA Arlene Clemesha. A questão Palestina.

https://vimeo.com/23631320 – OCUPATION 101

http://www.revistaamalgama.com.br/01/2009/gilles-deleuze-sobre-a-palestina-1978/ – G. Deleuze. Sobre a Palestina (1978)

http://www.midiaindependente.org/eo/red/2002/04/23613.shtml – José Arbex. Relato sobre a visita à Palestina.

http://claudioulpiano.org.br.s87743.gridserver.com/?p=4416 – G. Agamben. Mais além dos direitos do homem.

http://www.creadess.org/index.php/informate/de-interes/articulos-de-opinion/29334-a-proposito-de-gaza-por-eric-hobsbawm. – E. Hobsbawm, A propósito de Gaza.

http://noticias.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/noam-chomsky/2013/09/02/questao-palestina-o-mediador-honesto-e-desonesto.htm – Noam Chomsky. Questão Palestina: o mediador honesto é desonesto.

http://noticias.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/noam-chomsky/2013/04/02/na-palestina-dignidade-e-violencia.htm – Noam Chomsky. Na Palestina: dignidade e violência.

http://noticias.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/noam-chomsky/2012/12/04/gaza-clama-por-ajuda.htm- Noam Chomsky. A Gaza clama por ajuda.

http://noticias.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/noam-chomsky/2012/11/08/populacao-de-gaza-tem-de-conviver-com-sistema-precario-de-saude-em-meio-a-humilhacoes-impostas-pela-ocupacao-israelense.htm – Noam Chomsky. População de Gaza.

http://brasileiros.com.br/2016/04/fronteiras-muros-e-os-outros/ – Salem Nasser. Fronteiras, muros e os outros.

http://www.cartacapital.com.br/internacional/por-que-israel-vai-perder-a-guerra-6120.html – Salem Nasser. Por que Israel vai perder a guerra?

http://brasileiros.com.br/2015/12/na-terra-natal/ – Salem Nasser. Na Terra do Natal.

http://brasileiros.com.br/2015/10/belem-nao-fica-em-israel-nem-jerusalem/ – Salem Nasser. Belém não fica em Israel, nem Jerusalém.

http://brasileiros.com.br/2015/10/o-lado-oculto/ – Salem Nasser. O lado oculto.

http://outraspalavras.net/posts/palestina-dignidade-rebelde/ – Palestina: dignidade rebelde.

http://antigo.brasildefato.com.br/node/29359 – Marcelo Gruman. Não em meu nome.

http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2014/08/1497348-breno-altman-judaismo-nao-e-sionismo.shtml – Bruno Altman. Judaísmo não é sionismo.

http://revistaforum.com.br/digital/160/judith-butler-eu-reivindico-um-judaismo-nao-associado-violencia-estado/ – “Reivindico um judaísmo não associado à violência de estado”

https://distropia.wordpress.com/2012/09/14/judith-butler-e-o-judaismo-critico-a-israel/

https://territoriosdefilosofia.wordpress.com/2014/10/05/a-quem-pertence-kafka-judith-butler/ – Judith Butler. A quem pertence Kafka?

http://www.icarabe.org/cadernos-icarabe/quem-foi-edward-said  – Mahmoud Darwish. Quem foi Edward Said?

http://www.icarabe.org/cadernos-icarabe/said-o-intelectual-e-a-causa. Bonaventura Santos. Said, o intelectual e a causa.

http://www.icarabe.org/sites/default/files/pdfs/o_mundo_arabe_contemporaneo_-_atividade_complementar_2b.pdf

http://www.icarabe.org/sites/default/files/pdfs/o_mundo_arabe_contemporaneo_-_aula_7.pdf

http://alfredo-braga.pro.br/discussoes/edwardsaid-entrevista.html  – E. Said, Entrevista

https://nihilsubsolenovum.wordpress.com/2008/12/31/a-limpeza-etnica-na-palestina-ilan-pappe/ – I. Pappé. A limpeza étnica na Palestina.

https://blogdaboitempo.com.br/2014/08/01/a-palestina-apagada-do-mapa/ – Guilherme Boulos. A Palestina apagada do mapa.

https://blogdaboitempo.com.br/2014/07/25/zizek-o-circulo-de-giz-de-jerusalem/ – S. Zizek. O circulo de giz de Jerusalem.

http://zizek.weebly.com/texto-010.html – S.Zizek. O que acontece quando nada acontece.

https://blogdaboitempo.com.br/2014/08/14/a-esquerda-o-sionismo-e-a-tragedia-do-povo-palestino/ – D. Losurdo. A esquerda, o sionismo e a tragédia do povo palestino.

https://blogdaboitempo.com.br/2014/07/21/a-ocupacao-e-a-atrocidade/ – E. Said. A ocupação é atrocidade

 

 

 

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Made in China.

Ontem (29/05/2015) o cientista político Mauricio Santoro, professor do Departamento de Relações Internacionais da Uerj deu uma entrevista pra revista VALOR falando sobre os recentes acordos entre a China e o Brasil.

Eu gostei muito da entrevista, aliás, as análises do professor Mauricio são sempre muito boas. É altamente recomendável segui-lo nas redes sociais para poder acompanhar suas reflexões. Nesse caso o professor ponderou sobre os pontos positivos e negativos dessa parceria.

A chamada da matéria é “A China é megafone para a política externa brasileira”. Para o professor Mauricio o grande destaque da parceria (além do socorro imediato de R$ 250 Bilhões, um alívio para setores importantes da economia brasileira, incluindo setores afetados pela famigerada operação lava jato) diz respeito as relações internacionais. O Professor ressalta que a associação com a China e os Brics é importante para o Brasil “porque é um grande megafone para a política externa brasileira. Falando junto com a China, as posições brasileiras, por exemplo, sobre a reforma das organizações econômicas internacionais, ganham dimensão que não teriam se o Brasil estivesse falando sozinho”. Concordo. O 1º mandato de Dilma Rousseff, embora tendo mantido a mesma orientação geral de política externa do governo Lula, não atuou com o mesmo brilhantismo na área. Como destacou o ex-ministro Celso Amorim em entrevista para a Carta Maior em Abril desse ano: “Com isso, eu não diria que houve uma descontinuidade em termos de política, houve talvez uma mudança de intensidade, ditada por fatores ligados ao momento atual”. Esta é uma questão sensível, isto é, teria havido uma remodelação do jogo internacional ou então a 1ª gestão da Presidenta ficou muito preocupada com questões internas ou a política externa foi simplesmente um fracasso ou uma mistura desses fatores? Embora eu tenda a ver com maus olhos a atuação do governo de Dilma nesse setor no 1º mandato, reconheço que o BRICS e o NBD são coisas finas, elegantes e sinceras.

Logo depois dessa chamada otimista (otimista demais pra sempre apocalíptica VALOR) tudo volta ao normal, ou seja, a hecatombe: “O Brasil está mal preparado para lidar com uma China que nas próximas décadas, se tornará um dos centros mais influentes da geopolítica mundial”. Brincadeiras à parte, particularmente, achei bastante razoável as críticas e o tom das críticas a parceria. Da Carta capital (com reportagem de capa “negócios da China) até o Painel Globo News (com o Paulo Skaf e o Luis Gonzaga Belluzo) indicou-se o mesmo problema, qual seja, o Brasil não tem um “plano China”. O Brasil não conhece a China. Não conhece a sua História, mal conhece os seus arranjos econômicos (Deng Xiaoping é um ilustre desconhecido), não conhece as disputas intelectuais e políticas que estão acontecendo neste exato momento no gigante asiático (A China e seus intelectuais estão preocupadíssimos com um possível “terremoto democrático” e tentam antecipar o problema, apresentando soluções como a Democracia consultiva do município de Chongqing que se inspira na “polling democracy” de James Fishkin, que em breve será assunto de um outro post). Em suma, quando o assunto é a China todos somos palpiteiros. A academia, os empresários, os políticos. Todos.

O problema é maior. A China não se tornará um dos centros mais influentes da geopolítica mundial, ao contrário, ela já é. A China está envolvida em questões sensíveis da geopolítica, a saber, sua crescente influência econômica no continente Africano, suas relações turbulentas com Hong Kong e Taiwan, suas proximidades com nações mal vistas pelo ocidente como, por exemplo, a Rússia e a Coreia do Norte e etc e etc. O problema é maior. Precisamos começar a estudar hoje mesmo a China. Precisamos de uma força tarefa que reúna diversos setores da sociedade civil brasileira para correr atrás desse prejuízo enorme. Para saber o que queremos da China, precisamos saber o que a China é hoje. Precisamos enterrar nossa visão estereotipada. Seria uma tarefa gigantesca entre universidades, setores públicos e privados e etc. A minha pergunta é: Como fazer isso se nós não nos interessamos pela China? se nós estamos tão apaixonados pelos nossos próprios paradigmas que não podemos deixá-los de lado, ao menos, enquanto estudamos algo de novo? como fazer isso com a atual situação política? como fazer isso com a democracia pedindo sufoco? como fazer isso se não temos um projeto de país? como saber o que o Brasil quer da China se não sabemos o que o Brasil quer de si mesmo?

Olá, migos.

Este blog surge das profundezas do clichê mais tedioso possível: a solidão dos Filósofos. Melhor dizendo, a solidão dos rascunhos de filósofos.

Estou cursando o quarto ano de Filosofia na Universidade de São Paulo (Para desespero astrológico de nosso amigo Olavo) e desde adolescência graças a um professor de geografia estou envolvido em pensamentos de esquerda. A maioria das sextas têm tido o mesmo roteiro: leituras que me levam a contemplar o Abismo.

Não há novidade nesta sexta. Eis que pensei que dividir estes pensamentos com algum ser, em algum outro universo possível, em alguma outra dimensão não seria ao todo uma má ideia.

Soma-se a isso o Brasil atual. Parece-me que estamos perdidos, ao menos, desde Junho de 2013. Assistimos, passivos, a escalada de um pensamento autoritário, conservador e, às vezes, reacionário. Max Horkheimer, Theodor Adorno, Erich Fromm, assíduos hóspedes do Hotel Abismo, perguntavam-se como explicar o fato de que estratos do proletariado e da classe média alemã dos anos 30 do século passado caminhavam rumo ao Nazismo. Guardadas as devidas proporções, sutilezas e modificações podemos nos questionar sobre as razões que levam o Brasil atual em direção ao Fascismo. Posso estar exagerando? Sim. Ou não.

Torço para errar este diagnóstico, mas refletir, estudar, debater e não subestimar germes de fenômenos sociais, nunca é demais.

O contrarregra desta peça é o “popfilósofostar” Žižek. Nesses poucos anos de vida já transitei por muitas prismas de esquerda. Nos últimos tempos tinha aderido ao fatalismo e jogado a toalha branca. Algumas leituras do esloveno me mostraram que, talvez, viver no fim dos tempos signifique viver no inicio de outros tempos.

Pensar o fim da utopia neoliberal. Pensar as reações ao morto que insiste em viver, das mais agressivas até as que ficam nas fronteiras do Estado de Direito. Pensar novos caminhos para a esquerda.

O método é, simplesmente, seguir essas diretrizes analisando qualquer coisa.

Qualquer coisa mesmo. De Tweets a livros.